
Após um intenso processo de resistência e articulação dos sindicatos, os docentes do Ensino Médio do Senac aprovaram, em assembleia no dia 29/04, a nova proposta salarial da instituição. O desfecho da campanha, marcado pela união entre base e sindicatos, assegurou ganhos superiores às ofertas iniciais, elevando o valor da hora-aula e do auxílio-alimentação após a rejeição de índices considerados insuficientes. A aprovação da contraproposta do Senac por ampla maioria (80%) marca uma vitória estratégica para os professores do Ensino Médio na Campanha Salarial deste ano.
Em Assembleia Estadual Unificada realizada na última terça-feira (29/04), os professores e professoras do Ensino Médio do Senac decidiram, por ampla maioria (80% dos votos), aceitar a contraproposta da instituição. O desfecho marca o encerramento de uma mobilização intensa que perdurou por semanas, unindo docentes da capital e do interior em torno da valorização profissional.
Os Números da Conquista
O novo acordo reflete uma evolução significativa em comparação às primeiras rodadas de negociação, quando a instituição oferecia apenas 3,45% de reajuste. Com a pressão das bases, os índices foram revisados para cima:
- Hora-aula: Elevada para R$ 47,00 (um aumento real de 5,24%).
- Piso de Referência: Embora a meta inicial da categoria fosse o piso de R$ 50,00, o valor alcançado é visto como uma vitória estratégica que pavimenta o caminho para futuras negociações.
- Vale-Alimentação: O benefício saltou para R$ 205,00, representando um reajuste expressivo de 13,88%, combatendo diretamente a perda do poder de compra dos docentes.
A Força da Mobilização Coletiva
A aprovação do acordo não foi um evento isolado, mas o resultado de um processo de resistência. Após a rejeição de propostas anteriores consideradas insuficientes, a categoria intensificou a presença nas assembleias e a articulação digital e presencial.
De acordo com a Fepesp (Federação dos Professores do Estado de São Paulo), a organização em rede entre os diferentes sindicatos foi o diferencial para que o Senac revisse sua posição. A estratégia de “unidade na ação” forçou a instituição a reconhecer o descontentamento dos professores, que já acenavam com a possibilidade de paralisações caso não houvesse avanço real.
“A mobilização dos professores foi decisiva para avançarmos nas negociações e chegarmos muito perto do valor que defendíamos como referência. É um resultado que demonstra a força da categoria organizada”, afirma Walter Alves, diretor da Fepesp e coordenador das tratativas.
Análise do Cenário: O que muda agora?
A vitória parcial no valor da hora-aula é acompanhada pela manutenção de cláusulas sociais e pela garantia de que a organização sindical permanece vigilante. Fontes ligadas ao movimento indicam que este ciclo de negociações fortaleceu os grupos de base dentro das unidades do Senac, algo que estava disperso desde o período da pandemia.
Destaques do novo cenário:
- Interiorização: Pela primeira vez em anos, a participação das unidades do interior foi proporcionalmente tão relevante quanto a da capital, equilibrando o peso das decisões.
- Precedente Histórico: O reajuste do vale-alimentação acima de dois dígitos (13,88%) estabelece um novo patamar para os benefícios da categoria para os próximos anos.
Saldo da Campanha
Embora o objetivo dos R$ 50,00 não tenha sido integralmente atingido nesta etapa, o sentimento entre os docentes é de dever cumprido. A campanha se encerra com um saldo positivo, não apenas financeiro, mas político, reafirmando que a valorização do ensino médio passa, obrigatoriamente, pelo reconhecimento de quem está em sala de aula.
O acordo agora segue para os trâmites de redação final e assinatura para que os novos valores sejam aplicados na folha de pagamento o mais breve possível.




