12/05/2026

 

O SinproSantos (Sindicato dos Professores de Santos e Região), representante da categoria docente que acredita na educação como prática da liberdade e do diálogo, vem a público manifestar seu mais profundo e veemente repúdio à desocupação violenta da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), conduzida pela Polícia Militar na madrugada deste domingo, 10 de maio.

A Força no Lugar do Argumento

É inadmissível que, em pleno Estado Democrático de Direito, o ambiente universitário — que deveria ser o templo do debate de ideias e da construção do conhecimento — seja palco de cenas de guerra. A opção da Reitoria da USP e do Governo do Estado por uma intervenção militarizada, em vez do esgotamento das vias de negociação, revela um preocupante desprezo pela autonomia universitária e pela integridade física da comunidade acadêmica.

A escolha do horário — a calada da noite — e o aparato repressivo utilizado demonstram que o objetivo não era apenas o cumprimento de uma ordem judicial, mas a intimidação de um movimento legítimo.

Por que repudiamos esta ação?

  • Criminalização do Movimento Estudantil: Tratar reivindicações acadêmicas e sociais como “casos de polícia” é um retrocesso autoritário que silencia críticas necessárias à gestão pública.
  • Violação do Espaço Acadêmico: A entrada da força de choque no campus fere a tradição de autonomia da USP, transformando a universidade em um território de exceção e medo.
  • Truculência Desproporcional: O uso de bombas, gás e força física contra estudantes e trabalhadores é uma resposta violenta que ignora a responsabilidade educativa que a instituição deveria prezar.

Nossa Solidariedade e Compromisso

O SinproSantos se solidariza com os estudantes, funcionários e professores que foram alvos dessa ação desproporcional. Reafirmamos que a educação não se constrói com cassetetes, mas com investimentos, democracia interna e respeito às vozes que compõem a universidade pública.

Exigimos:

  1. A imediata apuração de excessos cometidos durante a operação.
  2. A abertura de canais reais de negociação entre a Reitoria e os movimentos ocupantes.
  3. O fim da política de segurança pública que trata a divergência política como crime.

Educação é direito, não é caso de polícia!