16/04/2026

Em uma demonstração de resistência e articulação política, os professores do Ensino Médio do Senac realizaram, na última sexta-feira (10/04), uma assembleia geral remota que superou as expectativas de mobilização. O encontro, que teve início às 9h e se estendeu até as 17h, marcou um posicionamento contundente da categoria contra a proposta salarial apresentada pela instituição.

O foco central é a exigência de um reajuste que eleve o valor da hora-aula para R$ 50,00.

O movimento de valorização ganhou força nas últimas semanas após sucessivas rodadas de negociação que não resultaram em uma proposta considerada satisfatória pela categoria. Para os docentes do Ensino Médio, o valor de R$ 50,00 por hora-aula não representa apenas um ganho financeiro, mas a correção de uma defasagem histórica e o reconhecimento da complexidade pedagógica exigida pelo Novo Ensino Médio e pelo Ensino Técnico integrado.

A assembleia geral remota foi classificado por lideranças sindicais como um “evento político muito importante” para a categoria. Além da rejeição da proposta patronal, a assembleia serviu para garantir o direito de participação dos docentes frente às pressões institucionais.

Estratégia Jurídica e “Abono de Falta”

Um dos pontos centrais do dia foi o embate sobre o abono de falta para os participantes. Segundo Walter Alves, presidente do Sinpro Santos e diretor da Fepesp, o Senac tentou restringir o abono apenas ao período das 10h ao meio-dia, ou somente para quem trabalhava no período da manhã.

Para garantir que professores de unidades do interior e aqueles com aulas à tarde pudessem participar sem prejuízo, a organização destacou que o edital de convocação determina o início da assembleia em primeira chamada . “O edital fala da assembleia começando às 9h, mas não terminando”, explicou Alves. Com isso, a assembleia permaneceu logada durante todo o dia, assegurando a dispensa legal das atividades para todos os docentes participantes.

Participação Massiva e Rejeição da Proposta

A adesão dos professores foi expressiva ao longo de toda a jornada remota via Zoom:

  • Pico de participação: Pela manhã, a assembleia contou com a presença de 509 professores.
  • Resistência: Mesmo após oito horas de debates, cerca de 300 professores permaneciam logados às 17h para o encerramento.
  • Deliberação: A proposta oferecida pelo Senac foi rejeitada por unanimidade, refletindo a insatisfação com os termos apresentados na última rodada de negociação.
  • Estado de Alerta e Mobilização: Foi aprovado o início de um “Calendário de Luta”. Isso inclui a possibilidade de atos de manifestações e diversas atividades de mobilização caso não haja uma nova proposta oficial na próxima semana.
  • Ações de Comunicação: Intensificação do diálogo com alunos e responsáveis para explicar os motivos da insatisfação docente e o risco de impacto no calendário letivo.

Próximos Passos

Com a categoria em Estado de Alerta, o Sindicato e a Federação dos Professores (Fepesp) devem agora comunicar oficialmente ao Senac o resultado da assembleia. Uma nova rodada de negociação é aguardada com urgência para evitar que a mobilização evolua para uma paralisação geral.

“Foi um evento político muito bom. Valeu a pena”, afirmou o dirigente, reforçando que a participação efetiva e as votações demonstraram a unidade da categoria. Está prevista a divulgação de uma lista detalhada de atividades e manifestações que comporão o calendário de lutas para a sequência da campanha salarial.