07/10/2026

A saúde mental dos professores não é uma questão puramente individual e tampouco pode ser reduzida à “capacidade de suportar pressão”. Foi com essa provocação central — “É comigo ou é com o trabalho?” — que o Sinpro Santos e Região realizou, na noite da última segunda-feira (5), às 19h, a palestra e debate online “NR-01 e a Saúde Mental Docente”, reunindo educadores da categoria e especialistas. Conduzido pela psicóloga e terapeuta cognitivo-comportamental (TCC) Ana Monteiro, da Clínica de Psicologia Constante, o encontro lançou luz sobre a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01) e o seu papel fundamental na gestão de riscos psicossociais nas instituições de ensino.

A saúde mental do docente não pode ser vista como uma questão puramente individual ou como “falta de capacidade de suportar pressão”.

A pergunta central (“É comigo ou é com o trabalho?”) deve estar no centro da resolução dessa equação: Risco Psicossocial vs. Responsabilidade Individual vs. Responsabilidade do Empregador.

Esse foi o centro da palestra remota, seguido de debate, “NR-01 e a Saúde Mental Docente”, realizada na noite da última segunda-feira, às 19h, promovida pelo Sinpro Santos. O encontro online reuniu professores e especialistas para discutir estratégias preventivas e de apoio psicológico no cotidiano escolar e as diretrizes da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01).

A atividade contou com a condução da psicóloga e terapeuta cognitivo-comportamental (TCC) Ana Monteiro, da Clínica de Psicologia Constante.

Durante a apresentação, a palestrante abordou como as atualizações e exigências da NR-01 se conectam diretamente com o gerenciamento dos riscos psicossociais nas instituições de ensino — destacando o impacto do estresse contínuo, do esgotamento profissional (burnout) e das dinâmicas de trabalho no bem-estar dos educadores.

A palestrante reforçou que a saúde mental do docente não pode ser vista como “falta de capacidade de suportar pressão”. Um ponto de vista puramente individual, no qual o sofrimento deve ser apenas mitigado.

 

A pergunta central, “É comigo ou é com o trabalho?”, divide o olhar entre Individual (como penso, sinto e reajo) e Organizacional (como o trabalho está organizado e quais recursos estão disponíveis).

A palestrante Ana Monteiro iniciou a resposta a essa pergunta diferenciando os diferentes estados psicológicos e diagnósticos:

  • Cansaço: Desgaste comum do dia a dia.
  • Estresse: Acompanha momentos de maior demanda, mas melhora com recuperação adequada.
  • Esgotamento / Burnout: Resposta à persistência de demandas percebidas como excessivas e difíceis. Relaciona-se diretamente ao contexto ocupacional e exige avaliação adequada.

Diante disso, destacou a importância da NR-01: exigir a identificação dos riscos ocupacionais — incluindo os riscos psicossociais (metas irreais, prazos de entrega, volume de demandas) —, transferindo para o empregador a obrigação de organizar a estrutura laboral e oferecer um inventário e gerenciamento adequados desses riscos.

Em seguida, Ana Monteiro desenvolveu o principal conceito da Terapia Cognitivo-Comportamental: a Comunicação Assertiva: como transformar a queixa, o mal-estar individual, em “problema discutível”.

Para lidar com a gestão e com o ambiente escolar, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) propõe estruturar a comunicação em 4 etapas claras:

  1. Fato: Descrever a situação sem interpretar ou julgar (ex.: “Temos três demandas simultâneas no mesmo prazo”).
  2. Impacto: Explicar a consequência prática no trabalho (ex.: “Isso está comprometendo o tempo disponível para planejamento”).
  3. Necessidade: Apontar o que precisa ser alinhado (ex.: “Precisamos avaliar prioridades e prazos”).
  4. Pedido: Propor uma solução viável e dialogada (ex.: “Podemos reorganizar o cronograma?”).

No debate que se seguiu, a grande questão foi como identificar o que está ao alcance do indivíduo (Fato, Pensamento, Ação) e o que pertence ao Contexto (necessidade de discussão e modificação na rotina do trabalho).

E onde se insere nessa discussão a ação coletiva sindicalmente organizada e, principalmente, na A NR-01 (Norma Regulamentadora nº 1), a norma fundamental que estabelece as diretrizes gerais sobre Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil – a “espinha dorsal” para todas as outras normas regulamentadoras (como a NR-05 da CIPA, NR-17 de Ergonomia etc.).

E, principalmente, o papel de gestores e empregadores na identificação e gerenciamento dos riscos psicossociais nas instituições de ensino.

A realização do evento reforça o compromisso do Sinpro Santos e Região em atuar constantemente na defesa da integridade, da qualidade de vida e dos direitos de todas as professoras e professores da base.