25/09/2026

Diante da proximidade das eleições para presidente, governador, senadores e deputados, o Sinpro Santos publica editorial convidando a categoria docente a refletir sobre o papel decisivo do voto na defesa da educação, da democracia e da soberania nacional. Em um cenário marcado por debates despolitizados e focado em pautas moralistas, o sindicato reforça a urgência de os educadores superarem o ruído das campanhas e analisarem criticamente os projetos e propostas programáticas de cada candidatura.

As próximas eleições para presidente, governador, senadores e deputados chegam em um momento crucial para o país, mas o cenário da campanha eleitoral exige de nós, educadores, um olhar crítico redobrado. Temos acompanhado um debate público frequentemente despolitizado e esvaziado de propostas estruturais. Nos debates, nas redes sociais e nas propagandas, temas moralistas, discussões sobre costumes e a troca de acusações sobre corrupção têm servido como uma cortina de fumaça, sobrepondo-se às questões programáticas que de fato definirão o futuro do Brasil.

Como formadores de opinião e profissionais dedicados à construção do conhecimento, a categoria docente tem o dever de ir além da superfície. O nosso compromisso nas urnas não deve ser pautado pelo medo ou por discursos de ódio, mas sim pela análise criteriosa do que cada candidatura projeta para o país.

O Foco no Que Realmente Importa

O poder de transformação do Estado passa diretamente por quem ocupa as cadeiras do Executivo e do Legislativo. O presidente e os governadores executam o orçamento e desenham as diretrizes nacionais e estaduais. Já os deputados e senadores são os responsáveis por aprovar as leis que regem nossas relações de trabalho, o financiamento da ciência e os direitos sociais.

Neste contexto, é imperativo que a nossa categoria concentre sua atenção em três pilares fundamentais ao pesquisar os planos de governo e as plataformas políticas:

  • Educação: Precisamos identificar quais candidatos apresentam projetos reais para o financiamento da educação básica e superior, a valorização da pesquisa, a melhoria das condições de trabalho docente e o respeito à autonomia pedagógica. Discursos vazios de “prioridade à educação” não bastam; é preciso buscar o compromisso com metas claras, como o cumprimento dos planos de educação e a destinação adequada de recursos.
  • Democracia: A educação só floresce em um ambiente democrático. O voto deve ser direcionado a projetos que respeitem as instituições, a pluralidade de ideias, os direitos humanos e o diálogo aberto com a sociedade civil e os movimentos sindicais.
  • Soberania: O desenvolvimento de uma nação independente está intrinsecamente ligado à sua capacidade de produzir ciência, tecnologia e cultura. A soberania nacional defende nosso patrimônio intelectual e material contra o sucateamento e a dependência externa.

 

A Urgência da Pesquisa e do Voto Consciente

Reverter a despolitização do debate eleitoral começa por nós. O Sinpro Santos reforça que o momento exige leitura, comparação e debate. Independentemente de preferências partidárias, o critério de escolha deve ser o alinhamento das propostas com a defesa da classe trabalhadora e da educação de qualidade.

Verifique o histórico de votação dos candidatos que buscam a reeleição. Eles estiveram ao lado da educação quando projetos de corte de verbas ou de retirada de direitos trabalhistas foram colocados em pauta? Suas alianças refletem um compromisso com o desenvolvimento social ou apenas com a manutenção de privilégios?

No dia da eleição, o que depositamos na urna é mais do que uma preferência pessoal; é a nossa visão de sociedade. Que possamos escolher projetos que enxerguem a educação não como gasto ou trincheira ideológica, mas como o principal pilar da democracia e da soberania do nosso país.