A última semana foi marcada por uma onda de resistência e mobilização no setor educacional paulista. Docentes de diferentes segmentos — do sistema “S” ao ensino superior privado — enviaram um recado claro às entidades patronais: as propostas apresentadas até agora estão longe de refletir a valorização da categoria. Com rejeições massivas e a decretação de estado de greve, o clima é de prontidão para paralisações caso as negociações não avancem.
Sesi e Senai: 85% de Rejeição e Assembleia Decisiva Hoje
Em assembleia realizada na última quinta-feira (23), os professores do Sesi e do Senai rejeitaram a proposta econômica do patronal com uma expressiva marca de 85% dos votos. A categoria classificou a oferta como insuficiente, apontando a falta de ganho real e o desrespeito às demandas por melhores condições de trabalho.
O que está em jogo: Os docentes aprovaram o estado de greve e já têm um novo encontro marcado para hoje, segunda-feira (27 de abril), às 19h30. Esta assembleia será o termômetro final: se não houver uma contraproposta digna, a organização do movimento grevista deve entrar na pauta principal.
Ensino Superior: “Estado de Greve” contra o Desmonte da Convenção
O professorado do Ensino Superior privado também deu um basta. Em assembleia unificada, a categoria rejeitou a contraproposta das mantenedoras e aprovou formalmente o estado de greve.
A insatisfação vai além do reajuste salarial. Os sindicatos alertam para tentativas de “flexibilizar” ou remover cláusulas históricas da Convenção Coletiva, como:
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Regras de bolsas de estudo para dependentes;
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Condições de assistência médico-hospitalar;
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Garantia da hora-atividade de 10% e PLR de 18%.
A próxima mobilização de grande porte está agendada para o dia 14 de maio, data em que a categoria poderá deliberar sobre a paralisação das atividades.
Senac: Ensino Médio Rejeita Proposta e Mantém Pressão
No Senac, o cenário é dividido, mas combativo. Enquanto os docentes do Ensino Superior da instituição aceitaram um acordo de 5% de reajuste, os professores do Ensino Médio seguiram o caminho da resistência.
Em assembleia no dia 22 de abril, a proposta patronal foi rejeitada, e o estado de greve foi decretado. Para esses docentes, o impasse permanece em torno de cláusulas sociais e do reajuste que recupere o poder de compra. Uma nova assembleia unificada para o Ensino Médio do Senac já está convocada para a próxima quarta-feira, 29 de abril.
Há 15 dias, professoras e professores do Senac estão mobilizados para esclarecer colegas, alunos e comunidade sobre a situação de trabalho e demandas da categoria. Também se manifestam durante o período de aulas usando camisetas pretas e um botton com a imagem da onça pintada, em referência à nota de R$50,00, valor reivindicado por hora/aula nas mesas de negociação. Na última sexta-feira, 17/04, houve panfletagem nas unidades da capital e interior e distribuição de manifesto com os detalhes da campanha salarial 2026.
Um resumo das mobilizações:





