
Em uma demonstração expressiva de unidade, os docentes do ensino superior privado paulista decidiram manter a mobilização acesa. Na última quinta-feira (14), durante a Assembleia Estadual Unificada liderada pela Fepesp (Federação dos Professores do Estado de São Paulo) e seus sindicatos integrantes, a categoria aprovou por ampla maioria (98% dos votos) a continuidade do estado de greve.
O recuo parcial do Semesp (sindicato patronal) foi visto como uma vitória inicial, mas insuficiente. Com isso, o prazo para as negociações foi estendido até o dia 28 de maio, data em que uma nova assembleia geral decidirá os rumos do movimento.
Dinâmica da Assembleia: Participação Recorde e Formato Híbrido
Esta edição da Assembleia Estadual Unificada trouxe elementos novos que consolidaram a força do movimento:
- Integração Capital e Interior: Realizada de forma híbrida, a assembleia registrou uma participação recorde de docentes de diversas regiões do estado, incluindo forte engajamento de polos universitários do interior e do litoral paulista.
- Criação de Comitês Locais: Como deliberação inédita do encontro, os professores aprovaram a criação de comitês de mobilização locais dentro das principais instituições de ensino. Esses grupos serão responsáveis por fiscalizar a base e preparar a categoria caso a greve precise ser efetivamente deflagrada após o dia 28.
- Plataforma Digital de Luta: Foi aprovada a criação de um canal direto de denúncias virtuais para que os professores relatem pressões assediadoras das mantenedoras durante o período de estado de greve.
O Recuo Parcial do Semesp: Direitos Históricos Preservados
A pressão exercida pelos sindicatos nas últimas semanas surtiu efeito prático na mesa de negociações. Diante da ameaça real de paralisação, o Semesp retirou de pauta duas propostas que atacavam diretamente conquistas históricas da categoria:
- Bolsas de Estudo: Tentativa de alteração nas regras de concessão para dependentes.
- Plano de Saúde: Propostas de mudanças que onerariam os trabalhadores.
Nota dos Sindicatos: Embora a retirada desses pontos seja uma vitória da mobilização, a categoria alerta que aceitar apenas a manutenção do que já existe não é o bastante. A Campanha Salarial deste ano exige aumento real e ganho do poder aquisitivo.
Os Impasses: O Que Ainda Está em Jogo?
Apesar dos avanços, as negociações travam em cláusulas consideradas vitais pelos docentes. Os principais pontos de discórdia que mantêm o estado de greve na ordem do dia são:
- Férias e Carga Horária: Garantias contra a fragmentação do descanso e proteção contra a redução unilateral de aulas.
- Controle de Jornada: Regulação do trabalho extraclasse e uso de tecnologias fora do horário de expediente.
- Relação Nominal e Cipa: Transparência na listagem de funcionários enviada aos sindicatos e estabilidade dos representantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes.
Próximos Passos e Solidariedade Estudantil
O movimento ganhou um reforço de peso com a presença de representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) na assembleia. Os estudantes manifestaram total apoio à causa dos professores, vinculando a valorização dos docentes à qualidade do ensino que recebem.
Até o dia 28 de maio, os sindicatos filiados à Fepesp intensificarão o calendário de lutas, promovendo:
- Visitas surpresa às instituições de ensino.
- Panfletagens e assembleias locais de esclarecimento.
- Campanhas de conscientização digital voltadas para alunos e pais.



