
A agressão verbal do vereador Lucas Pavanato (PL) contra os professores da rede pública paulistana, classificados por ele como “vagabundos” e “burros” na última quarta-feira (13) na Câmara Municipal de São Paulo, acendeu o alerta sobre o uso de mandatos parlamentares para a produção de “cortes” de internet. Em resposta ao tumulto que suspendeu a sessão e às ofensas desferidas na tribuna, o Sindicato dos Professores de Santos e Região manifesta profundo repúdio à postura do parlamentar, apontando que o espetáculo midiático e a retórica de extrema-direita foram priorizados em detrimento do debate sério sobre a valorização da educação.
O Sindicato dos Professores de Santos e Região vem a público manifestar o seu mais profundo repúdio e indignação diante das declarações criminosas e covardes proferidas pelo vereador Lucas Pavanato (PL) na última quarta-feira (13), no plenário da Câmara Municipal de São Paulo.
Durante a votação do reajuste salarial da educação — um direito legítimo de quem sustenta o futuro daquela cidade —, o parlamentar usou a tribuna não para debater política pública, mas para destilar ódio, chamando os professores da rede pública de “vagabundos” e “burros”.
“Essa massa de manobra serve de palanque para os vereadores de esquerda, que não têm um macho, não têm um corajoso, é só discursinho furado. Não defendem vocês de verdade. Não adianta olhar com cara de perdido, não, Silvia.”
A vereadora Silvia Ferraro (Psol) subiu à tribuna e tentou retirar o microfone de Pavanato. Outros parlamentares acompanharam o movimento e tentaram separar a discussão, o que levou à suspensão da sessão.
A agressão verbal proferida pelo vereador não é apenas um insulto pessoal; é um ataque deliberado à dignidade de milhares de educadores que, diariamente, enfrentam salas de aula superlotadas, falta de infraestrutura e salários defasados para garantir o direito à educação das crianças e jovens da periferia de São Paulo.
Quem é o verdadeiro retrocesso?
Chamar de “vagabundo” o profissional que leva trabalho para corrigir em casa, que planeja aulas nas madrugadas e que muitas vezes tira dinheiro do próprio bolso para comprar material pedagógico é de uma inversão de valores escandalosa. Chamar de “burro” um corpo docente formado por especialistas, mestres e doutores, que passam por concursos públicos concorridos, demonstra apenas a profunda ignorância e o desprezo do próprio vereador pela realidade da educação pública.
Enquanto a categoria pedia o básico — a reposição das perdas inflacionárias e a valorização da carreira —, o parlamentar escolheu o caminho do espetáculo de internet, tentando angariar curtidas às custas da humilhação de servidores públicos exemplares.

Pavanato: algoritmos contra a Democracia
A atuação pública do vereador Lucas Pavanato (PL) é amplamente caracterizada por uma estratégia política moldada pela dinâmica dos algoritmos digitais, em que o embate ideológico se sobrepõe à atividade legislativa tradicional.
Sua projeção eleitoral baseia-se diretamente na produção de “cortes” — vídeos curtos, editados de forma dinâmica — voltados para o engajamento de nichos de extrema-direita nas redes sociais.
O cerne dessa estratégia consiste na busca ativa pelo conflito, com foco recorrente em ambientes universitários e manifestações políticas. O modus operandi do parlamentar baseia-se em aspectos bem delimitados dentro da estratégia “alt-right” (“Direita Alternativa”) de comunicação no atual ecossistema digital.
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Provocação em Ambientes Acadêmicos
O vereador adota a prática de entrar em campi universitários (com episódios recorrentes na Universidade de São Paulo – USP) carregando cartazes com frases de forte apelo moral e ideológico (como debates inflamados sobre aborto ou pautas de costumes). O objetivo principal não é estabelecer um debate acadêmico, mas sim usar o espaço como cenário para atrair reações de indignação.
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A “Fábrica de Cortes” e Estética do Conflito
A presença física nesses locais é acompanhada por uma equipe de filmagem posicionada para registrar as interações. A tática apoia-se na indução ao descontrole: ao desestabilizar ou confrontar estudantes e opositores com perguntas capciosas ou posturas agressivas, o parlamentar busca capturar momentos de exaltação dos manifestantes. Na edição posterior para o YouTube, Instagram e TikTok, esses trechos são recortados para construir uma narrativa em que o vereador se posiciona como um debatedor “racional” e “destemido” diante de uma oposição caricaturada como violenta ou despreparada.
Em suma, as ofensas desferidas contra os professores no plenário alinham-se exatamente a esse modelo: o uso de termos ofensivos e estridentes na tribuna serve como insumo imediato para alimentar sua engrenagem digital de engajamento, priorizando a visibilidade e o espetáculo político em detrimento da discussão técnica sobre a educação do município.
Exigimos Providências!
Não aceitaremos que a tribuna da Câmara Municipal seja utilizada como palco para a violência verbal e a difamação.
- Exigimos uma retratação pública imediata por parte do vereador Lucas Pavanato.
- Também exigimos que seja acionada a Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo por quebra de decoro parlamentar. Um representante do povo não pode usar o cargo para caluniar os próprios trabalhadores do município.
A categoria merece respeito, valorização e salários dignos. Não seremos silenciados por gritos de quem desconhece o dia a dia da escola.
Quem não respeita a educação, não merece governar!



